Por Felipe Brito, Diretor de Negócios e Fernando Ostanelli, Head de Operações, da CI&T.
Parte I - Por que você deve superar falsas dicotomias e começar a medir a produtividade
Quando alguém se atreve a dizer que é realmente possível acompanhar produtividade de times ágeis, recebe logo uma enxurrada de críticas. Parece até que a Lei da Gravitação Universal - de Isaac Newton - está sendo desafiada. Os ânimos se alteram e a discussão rapidamente esquenta.
Os contra-argumentos vão de impossibilidade a insensatez e, geralmente, caem em uma das categorias abaixo:
- “Desenvolvimento de software é uma atividade muito mais "criativa", quase como uma "arte" e por isso mesmo é imposível de ser medida”
- “Medir produtividade de um time é "contraprodutivo" pois o time encontrará artifícios para fazer com que sua produtividade fique boa (seja diminuindo o tamanho relativo das histórias, seja sacrificando outros entregáveis e a qualidade ou, ainda, usando qualquer outro mecanismo para se proteger)”
- “Métodos ágeis já promovem, por definição, o melhor ambiente possível para que times auto-geridos possam aprender e evoluir. Não há nenhuma necessidade de se medir produtividade uma vez que a melhor produtividade possível já será atingida automaticamente pelos próprios propósitos da metodologia”
- "Medir a produtividade implica desconfiança dos gestores para com as equipes e, provavelmente, significa um estratagema para desviar a atenção de outros problemas impactando o ambiente ágil como: falta de informação, falta de experiência, falta de responsabilidade, etc"
Os resistentes costumam dizer que o que importa de verdade é a ativação de valor que ocorre com o software entregue ao cliente final. Sem dúvida concordamos que a entrega de valor para o cliente deve ser sempre o objetivo final, mas nos sentimos muito desconfortáveis com a complacência que geralmente observamos com um tópico tão importante quanto esse.
O fato de algumas lideranças e pensadores na comunidade ágil abraçarem cegamente essa pseudo-verdade ao invés de desafiá-la na busca por uma resposta muito mais significativa e impactante para essa questão é bastante desconcertante e preocupante, em nossa opinião.
Independentemente do que possa ter levado as pessoas a criarem as teses acima e de como se tornaram "verdades", nós as questionamos.
Na manufatura, nos esportes, na educação, na agricultura, na mídia, na dança e em tantas outras atividades ou indústrias que tanto tem se desenvolvido e transformado ao longo dos anos, encontramos exemplos de valorização e verdadeira paixão por métricas. Isso só reforça nossa crença de que precisamos e podemos fazer mais! Muito mais!Acreditamos que as equipes apaixonadas e auto-organizadas estão sempre se esforçando e dispostas melhorar, mas elas necessitarão de números para suportar sua jornada de melhoria. Métricas nos ajudam a compreender e aprender com o status quo e fornecem insights para implementarmos as ações corretas. Além disso, as métricas nos permitem tomar decisões informadas, à medida que nos possibilitam entender, objetivamente, as causas-raiz de problemas específicos. Com métricas, temos informações para melhor embasarmos as ações preventivas ou corretivas. Temos dados que nos ajudam a priorizar os próximos passos e decisões em busca de melhores resultados. No final, conseguimos ter um caminho muito mais definido para implementarmos melhoria contínua.
Para os céticos que afirmam que é impossível medir produtividade porque desenvolvimento de software é uma espécie de "arte", nossa resposta é : insista, tente com mais determinação!
Reflita um momento sobre a indústria editorial ou a indústria da música… Todo mundo trabalha com prazos e metas. Os escritores têm acordos com as editoras para lançamentos constantes, e os músicos com as gravadoras.
Para o grupos de incrédulos que alegam que o time poderia trapaçear... bem… as pessoas sempre podem trapaçear. Existem milhões dessas pessoas por aí cometendo crimes e sendo presas por agirem de má fé ou burlarem os sistemas sociais, legais, etc. Se você está preocupado com a possibilidade das pessoas trapaçearem ou jogarem sujo, talvez seja hora de refletir se você realmente tem as pessoas corretas trabalhando ao seu lado.
A quem acredita que medir produtividade é uma perda de tempo, adiantamos que isso é um grande contra-senso!
Para o grupos de incrédulos que alegam que o time poderia trapaçear... bem… as pessoas sempre podem trapaçear. Existem milhões dessas pessoas por aí cometendo crimes e sendo presas por agirem de má fé ou burlarem os sistemas sociais, legais, etc. Se você está preocupado com a possibilidade das pessoas trapaçearem ou jogarem sujo, talvez seja hora de refletir se você realmente tem as pessoas corretas trabalhando ao seu lado.
Se você não puder confiar no seu time, provavelmente você tem um problema muito maior do que apenas não conseguir medir produtividade.
A quem acredita que medir produtividade é uma perda de tempo, adiantamos que isso é um grande contra-senso!
Mesmo considerando a hipótese que, independente de ter ou não métricas, a equipe estará sempre perseguindo melhoria contínua da melhor forma que conseguir, não seria melhor que tivesse uma bússola e um velocímetro para se orientar e tornar sua jornada muito mais gratificante ? Seria mais ou menos como se Usain Bolt não quisesse ter seus tempos registrados para que não tivesse que “gastar tempo” fazendo registros e analisando suas marcas e, dessa forma, pudesse ter mais tempo disponível para treinar e competir. Isso não faz nenhum sentido!
Usain Bolt e todos os velocistas profissionais analisam minuciosamente cada fatia de suas corridas de 10 segundos, antes mesmo de começarem a correr! Suas dietas, seu sono, a forma como se posicionam antes da largada, quão rápido eles reagem ao tiro de largada, sua explosão muscular, sua aceleração, o tempo que seu corpo e sua cabeça demoram para ficarem eretos após o início da corrida, seus pico de velocidade…tudo é medido, compreendido, analisado e desafiado para melhorar!
Finalmente, para aqueles que acreditam que métricas servem apenas para que os “chefes” tenham instrumentos para espremer os times e pressioná-los pelo atingimento de metas infactíveis, nossa sugestão seria para que refletissem se as empresas onde trabalham são realmente os locais corretos para continuarem desenvolvendo suas carreiras. Se você não puder confiar em sua liderança, seu destino já está selado! Liderança existe para servir o time, remover os principais obstáculos de seu caminho, e prover orientações valiosas e seguras que o ajudem a se desenvolver e atingir melhores resultados.
Usain Bolt e todos os velocistas profissionais analisam minuciosamente cada fatia de suas corridas de 10 segundos, antes mesmo de começarem a correr! Suas dietas, seu sono, a forma como se posicionam antes da largada, quão rápido eles reagem ao tiro de largada, sua explosão muscular, sua aceleração, o tempo que seu corpo e sua cabeça demoram para ficarem eretos após o início da corrida, seus pico de velocidade…tudo é medido, compreendido, analisado e desafiado para melhorar!
Finalmente, para aqueles que acreditam que métricas servem apenas para que os “chefes” tenham instrumentos para espremer os times e pressioná-los pelo atingimento de metas infactíveis, nossa sugestão seria para que refletissem se as empresas onde trabalham são realmente os locais corretos para continuarem desenvolvendo suas carreiras. Se você não puder confiar em sua liderança, seu destino já está selado! Liderança existe para servir o time, remover os principais obstáculos de seu caminho, e prover orientações valiosas e seguras que o ajudem a se desenvolver e atingir melhores resultados.
Se você é liderado por gestores tiranos, a falta de métricas, definitivamente, não irá tornar sua vida mais fácil. Esse é outro falso dilema.Em nossa experiência, temos observado que diversos fatores podem sabotar a produtividade de um time, incluindo falta de skill, falta de comunicação e uso inadequado de processo.
Sem dados e análises objetivas é muito difícil de se implementar ações corretivas ou preparar o terreno para novas melhorias.
Nossas reuniões de retrospectiva seriam um fórum sem sentido de discussão das coisas que não deram certo ou que poderiam ser melhoradas, sem direcionamento para ações práticas e focadas para atacar as reais causas dos problemas. Nossos times não seriam capazes de avaliar quão rápido eles realmente estão indo ou quão efetivas tem sido as medidas que estão sendo implementadas como resultado das reuniões de retrospectiva. Sem benchmarks, os times não conseguiriam entender quão eficiente eles tem sido e qual seria a tendência de sua performance para os sprints seguintes. Eles poderiam até estar tentando melhorar, mas sem a clareza sobre o que precisa de fato ser corrigido ou melhorado.
Nós somos apaixonados pelo pensamento Lean e para nós é fundamental ter os drivers de negócio sempre em mente, entregar o máximo de valor o mais rápido possível e trabalhar incansavelmente para eliminar desperdícios. Entretanto, nossa capacidade de entender precisamente a situação corrente e entender nossa evolução ao longo dos sprints é tão importante quanto tudo isso.
Na verdade, sem essa capacidade de enxergar a situação talvez nunca sejamos capazes de eliminar desperdícios e entregar o máximo de valor para os negócios de nossos clientes!
E vamos além!
Nós somos apaixonados pelo pensamento Lean e para nós é fundamental ter os drivers de negócio sempre em mente, entregar o máximo de valor o mais rápido possível e trabalhar incansavelmente para eliminar desperdícios. Entretanto, nossa capacidade de entender precisamente a situação corrente e entender nossa evolução ao longo dos sprints é tão importante quanto tudo isso.
Na verdade, sem essa capacidade de enxergar a situação talvez nunca sejamos capazes de eliminar desperdícios e entregar o máximo de valor para os negócios de nossos clientes!
E vamos além!
Advogamos que os próprios times devem coletar, interpretar e agir sobre seus dados de performance. Isso promove e reforça autonomia e suporta objetivos maiores de melhoria contínua e desenvolvimento de pessoas.
É por isso que costumamos dizer que desenvolvemos pessoas antes de desenvolver software!
Na segunda parte desse artigo, mostraremos como implementar um programa de medição e acompanhamento de produtividade. Vamos compartilhar um método para normalização de complexidade (ou tamanho) funcional de um software de forma clara, padronizada e objetiva. E como usar isto como um trampolim para gerenciar a produtividade, abordando os mal-entendidos e equívocos em torno deste tema.
#agile #enterpriseagile #ciandt #produtividade
Na segunda parte desse artigo, mostraremos como implementar um programa de medição e acompanhamento de produtividade. Vamos compartilhar um método para normalização de complexidade (ou tamanho) funcional de um software de forma clara, padronizada e objetiva. E como usar isto como um trampolim para gerenciar a produtividade, abordando os mal-entendidos e equívocos em torno deste tema.
#agile #enterpriseagile #ciandt #produtividade
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